10 coisas que podemos aprender com uma longa viagem

Uma viagem nunca é igual para todo mundo, por mais que o roteiro seja exatamente o mesmo – e nunca é previsível, ainda que tenha início, meio e fim, com planos cuidadosos e um itinerário bem detalhado. Coisas acontecem no meio do caminho. Shit happens. E a verdade é que, se não fossem essas coisas, não teríamos a oportunidade da transformação. É preciso soltar as amarras. Entender o desconhecido. Explorar o novo. O improviso. O imprevisto. O não planejado.

Viver realidades tão diferentes nos traz experiência. Como falei aqui, ao voltar do meu primeiro intercâmbio de dois anos na Austrália, percebi uma profunda mudança na minha forma de encarar o mundo. Por isso resolvi fazer uma lista de coisas que uma longa viagem pode nos ensinar – e colaborar para nossa transformação.

Aí vão as 10 coisas que podemos aprender com uma longa viagem (lembrando que esta é a minha lista, baseada nas minhas experiências, tá bem?)

1 – Ter determinação para enfrentar dificuldades. Diante de uma dificuldade em um lugar distante do seu ninho, você vai descobrir uma força interna maior do que imaginava. Você vai perder o trem, vai se perder em um bairro desconhecido, vai ter que pedir ajuda de estranhos. Vai encarar os desafios de uma nova língua, vai errar, vai ser caçoado. Você vai pagar mico, você vai passar algumas vergonhas, vai ter que rir de si mesmo. Você vai ficar doente, vai ter que ir à farmácia sozinho e fazer o próprio chá. Na maior parte das vezes, você vai trabalhar em subempregos. Limpar privadas, servir pessoas, cuidar dos bebês dos outros. Você vai aprender a se perdoar pelos erros e tropeços – e essa é a melhor parte da transformação.

2 – Abandonar velhos hábitos. Sim, você vai abandonar o hábito de jogar lixo no chão. Vai parar de atravessar a rua fora da faixa de segurança. Dependendo do país, você não poderá beber álcool na rua. Nem levar comida para a praia. E isso vai ser cotidiano, até se tornar muito natural.

3 – Eliminar alguns preconceitos. Na maior parte dos países de primeiro mundo, um garçom pode frequentar os mesmos ambientes que um executivo de multinacional – porque tem dinheiro para isso, porque não se sente inferior ou deslocado, porque ninguém está nem aí pra classe social de ninguém. E isso é maravilhoso! Aqueles conceitos que muitos brasileiros tem em relação a “pobre e rico”, a “bonito e feio”, a “certo e errado” simplesmente não existem.

4 – Estar preparado para o inesperado. Todos estamos nesse mundo para lidar com os obstáculos. Ninguém deveria ter momentos de indecisão, incertezas ou medos, mas eles aparecem. E quando estamos longe de tudo e de todos, a gente simplesmente aprende a se preparar para o imprevisto.

5 – Aprender a viver com menos cacarecos. Quando desapegamos – e muitas vezes é por necessidade mesmo (precisamos que as nossas coisas caibam nas malas) – a gente consegue ter mais qualidade de vida. É sério. Cercar-se de menos objetos e desfazer-se de excessos ajuda a resgatar o significado das coisas – e a viver somente com o que é essencial.

6 – Não levar a vida a sério demais. E isso é libertador. Teve uma vez que fiz xixi nas calças – é sério! Eu estava na rua, longe da estação de trem em um bairro de Sydney, e simplesmente não encontrei um lugar com banheiro. Fiz xixi. Nas calças. Na cal-ça-da! Dou muita risada dessa história porque se isso tivesse acontecido no Brasil eu teria morrido, hahaha. Mas é isso: estando fora e sabendo que você não tem pra onde correr, só nos resta sentar e rir da gente mesmo.

7 – Reconhecer que somos melhores do que imaginamos. Acredite. Você vai ser capaz de fazer coisas que jamais sonhava.

8 – Perder o nojinho. Sim, muitas vezes você vai ter que dormir em um colchão que já pertenceu a outra pessoa. Muitas vezes você vai lavar a sua privada – e a dos outros em algumas situações de trabalho. Você vai conhecer gente de outras culturas, que tem por hábito arrotar depois de comer. Sim, faz parte da vida quando a gente escolhe, por exemplo, dividir apartamento com outros seres humanos em outro país. Faz parte. Deal with it.

9 – Renunciar ao status. Quando você mora fora – especialmente nos países de primeiro mundo – usar o transporte público é tão natural que você nem cogita a ideia de comprar um carro. E, se quiser comprar, é possível que você escolha o mais barato mesmo, até porque o objetivo é apenas a locomoção. Depois de um tempo, essas coisas que demonstram um certo status não fazem mais sentido. Por que razão eu vou comprar algo que eu não preciso? Por muito tempo depois que eu retornei ao Brasil, eu fiquei sem comprar nada. Eu estava tão habituada com preços baixos que achava tudo caríssimo por aqui. Hoje eu posso dizer com toda a certeza que adotei um estilo de vida simples – e cheio de leveza!

10 – Aprender que os outros – até mesmo os mais íntimos e queridos – nem sempre apreciam as nossas escolhas de vida. Aquele seu amigo da faculdade não vai sequer mandar um “oi” pelo Facebook. O companheiro de anos vai ironizar a sua viagem dizendo aos outros que você foi lavar pratos no exterior. A sua mãe – sim, a sua mãe – não vai entender por que você decidiu ficar tanto tempo longe. Aceite isso. As pessoas que não tiveram esse desejo ou oportunidade na vida jamais entenderão a sua escolha. E a gente entende isso com mais facilidade quando está a milhares de quilômetros longe de todos.

Ao longo do tempo, eu vou falar mais sobre o poder transformador das viagens… mas antes quero saber se estão gostando do conteúdo do blog!  E se você quiser me contar as coisas que aprendeu com uma viagem, sinta-se a vontade para escrever para mim! O e-mail é contato@projetonuvemdecogumelo.com. Deixe também o seu comentário! Beijos e até a próxima!

  1. Neuza

    novembro 17, 2016 at 6:50 am

    Adorei seu texto!
    Concordo com tudo o que disse!
    Very good!

    1. Deni

      novembro 17, 2016 at 4:08 pm

      Que bom que gostou Neuza! Espero que curta os próximos textos! Beijos

  2. Marilia Keir

    novembro 19, 2016 at 3:33 am

    Ola Deni!!!! Adorei seu texto, alias me identifiquei com mutos de seus comentarios. Tive muitas experiencias parecidas com a sua, e quando comeco a lembrar dou muitas gargalhadas sozinha mesmo. Voce esta corretissima, concordo plenamente com suas ideias. Nao tive experiencia em outros paises, somente nos EUA, e senti exatamente o que vc sentiu.. Espero ler mais sobre suas andancas e sugiro que escreva um livro, te garanto que sera um “Best Seller”. Um Abraco!!

    1. Deni

      novembro 22, 2016 at 11:17 am

      Nossa, Marília, que incríveis suas palavras! Fico muito grata de saber que você se identificou com o texto e com as experiências! É muito bom saber que não estou sozinha nas minhas ideias e escolhas! Obrigada, obrigada de coração! Logo tem mais posts sobre viagens! Um grande beijo! :o))

  3. Linda

    novembro 23, 2016 at 7:32 pm

    Eu tambem fiz nas calças no exterior uma vez. Estava voltando de ônibus depois de um tour turistico, tinha bebido muita agua e não via a hora de descer, quando desci, saí correndo pra um shopping pra buscar um banheiro, mas não deu tempo e fiz xixi nas calças mesmo, teve que comprar calças novas toda molhada e quase morta da vergonha… .Mas hoje lembro e morro de rir, faz muitos anos kkkk saudades!

    1. Deni

      novembro 24, 2016 at 2:06 pm

      Lindaaaa, que engraçado que você passou pelo mesmo que eu! Haha! Estamos juntas nessa! Beijocas!

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