Como um intercâmbio aos 30 anos transformou a minha vida

Na época de nossos pais, o que eles não tinham feito até os 30 anos, jamais fariam. O que eles fariam depois de já ter conquistado a casa própria, um carro na garagem, o emprego dos sonhos e uma família bem constituída – com pai, mãe e filhos – não teria importância para mais ninguém além dos netos que viriam mais tarde. Ainda bem que nossa geração chegou cheia de surpresas. Tomamos decisões firmes e temos a disposição de assumir riscos calculados diante do desconhecido.

Bem, boa parte de nossa geração, é verdade, ainda não se desvinculou das regras convencionais – ir para a universidade, casar, comprar um apartamento, se aposentar e viver feliz para sempre. Para muitos de nós, ter um cargo de nível médio e trabalhar assim até a aposentadoria está de bom tamanho. Muitos sabem desde cedo qual a sua vocação. E não há nada de errado nisso! Mas para mim não aconteceu desta forma… eu queria algo diferente, queria descobrir meu propósito.

Nessa determinação de reconhecer o verdadeiro propósito, muitas pessoas querem um mudança de vida assim que atingem os trinta anos. Foi exatamente isso que aconteceu comigo, como conto nesse manifesto. Quando decidi que queria ficar por um tempo viajando, em um primeiro momento não ocorreu a ideia de um intercâmbio. Eu achava que era coisa para jovens aventureiros que dividiam beliches em repúblicas e ficavam alguns meses estudando e comendo macarrão instantâneo como principal refeição em um país diferente. Minha fantasia evaporou logo depois de pesquisar sobre as possibilidades de intercâmbio pelo mundo, e percebi que este sonho não era restrito aos jovens do ensino médio ou do início da faculdade. Era possível, sim, fazer um intercâmbio depois de já ter uma profissão e de não mais depender do dinheiro dos pais.

Um ano antes de viajar, meu namorado e eu procuramos uma agência de intercâmbio para avaliar as opções, e não tivemos dúvida de que queríamos um país de clima agradável para viver e estudar por um tempo. Assim, escolhemos a cidade de Sydney, na Austrália e compramos inicialmente um curso de inglês geral em uma escola de idiomas para estrangeiros (típicas para intercâmbios).

O planejamento para a viagem durou exatamente um ano. Além da compra do pacote, providenciamos os exames médicos para a aprovação do visto, compramos as passagens de ida e volta, deixamos nossa casa com um ano de condomínio pago, vendemos o carro, fizemos nossa vida caber em malas de 20 quilos e pedimos demissão.

Só nesse processo de planejamento, já aprendi que sempre que nos esforçamos para atingir um objetivo, empurramos para trás os medos do nosso mundo rotineiro. À medida que vamos nos tornando íntimos do objetivo, nosso conhecimento sobre o assunto vai se alargando, e os limites se expandem.

É claro que eu tinha ainda medo em relação à lingua, que eu supunha ser natural em uma pessoa com inglês de colégio, como eu. Mas internamente eu sabia que, chegando lá, esse desafio seria vencido na mesma proporção da minha dedicação.

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Muitas pessoas que viajam não percebem nenhuma mudança em si, não acham que se tornam pessoas melhores. Podem passar dias, meses e até anos em lugares diferentes do mundo que continuam mantendo velhos hábitos – como o apego, por exemplo. Isso não faz delas melhores nem piores. Mas o fato é que uma viagem longa pode trazer uma mudança profunda na forma como nos relacionamos com o mundo. O contato com uma cultura diferente nos faz mais flexíveis.

Depois dessa primeira experiência, eu fiz mais dois intercâmbios de férias – um em Londres, na Inglaterra, e um em San Diego, nos Estados Unidos. Carimbei 12 países diferentes no meu passaporte, e vou contar sobre cada uma das vivências por aqui. No próximo post  eu escrevi sobre as coisas que podemos aprender com uma longa viagem. Corre lá! Mas antes, deixe seu comentário: você já fez uma viagem que mudou sua forma de ver o mundo?

  1. Micheli

    novembro 17, 2016 at 1:55 pm

    Parabéns pelo blog, cheguei através do conexões RS e vou passar a acompanhar..
    🙂
    @kladidistribuidora

    1. Deni

      novembro 17, 2016 at 4:10 pm

      Eeeeeeeeeeeee que legal Micheli! Tomara que você curta os próximos posts!! Beijocas!

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