Me, myself and I: viajando sozinha pela Califórnia

Pois é. O lance todo de viajar sozinha para os Estados Unidos não foi difícil. Quando eu morei na Austrália, embora tivesse a companhia de meu namorado, eu fazia pequenas aventuras sozinha – muitas vezes ele estava trabalhando e não podia ir comigo. Assim, visitei muitos lugares desconhecidos dos turistas, e frequentados apenas pelos locais. Eu ia me informando com as pessoas, catando mapas independentes aqui e ali, e descobrindo lugares incríveis – que, depois, fazia questão de apresentar aos amigos. Fiz trilhas que terminavam em praias desertas maravilhosas, visitei bairros peculiares apenas pegando um trem e decidindo na hora em qual estação descer… Enfim, fiz algumas descobertas em terras australianas e peguei o gosto por explorar o desconhecido.

Mas até então não tinha pintado a oportunidade de ir sozinha para o exterior. E não foi por escolha, não. Como contei no texto anterior, eu simplesmente não encontrei ninguém que pudesse viajar comigo naquele momento. A viagem já estava marcada para junho deste ano, então eu tinha duas opções: ficar em casa, ou ir sozinha. Fui sozinha, claro.

Embarquei para a cidade de San Diego, na Califórnia, para fazer meu terceiro intercâmbio (o segundo fiz em Londres), e decidi que queria ter uma experiência diferente. Optei por uma casa de família como acomodação (homestay, como chamam nos programas de intercâmbio). A ideia era poder praticar a língua o máximo de tempo possível – e por essa razão, o contato com uma família típica americana seria importante pra mim.

A casa de família é uma possibilidade bem bacana para quem está indo pela primeira vez sozinho. No lugar onde fiquei, eu  tive meu próprio quarto, um banheiro compartilhado com outra intercambista (uma suíça filha de mãe brasileira, mas que, pra minha sorte NÃO falava português), e direito a duas refeições completas – e deliciosas – preparadas pela host mom, Marie.

Para muitas pessoas contemplando sua primeira viagem solo, o maior medo é se sentir solitário. Por isso é interessante escolher bem a acomodação – casa de família ou hostel, por exemplo, oferecem mais chance de interação com outros viajantes. Mas como fazer para interagir com as pessoas sem sentir vergonha? A minha dica é: seja uma versão corajosa e autoconfiante de você mesmo. Não tenha medo de se apresentar, de pedir para fazer companhia no almoço, ou de convidar para um passeio. Todos que viajam sozinhos estão no mesmo barco – e querem dividir as experiências com outros viajantes.

E o fato de ser mulher, não atrapalha? Em muitas situações, sim. O destino que eu escolhi não foi nem um pouco difícil, mas há países com uma cultura machista terrível – o que, muitas vezes, torna-se um perigo para as mulheres que viajam sozinhas. Por esse motivo, é muito importante escolher com cuidado o país, e pesquisar bastante sobre a questão cultural e religiosa do lugar. Em San Diego, as pessoas são super amigáveis e eu não senti nenhum preconceito ou olhar estranho das pessoas quando me sentei para tomar uma cerveja sozinha em um bar da Pacific Beach, por exemplo. Mas já ouvi histórias escabrosas de amigas que viajaram sozinhas para a Argentina (sim, nossa vizinha Argentina!) e sentiram na pele os olhares de reprovação e as piadinhas maldosas dos homens em determinados lugares.

Durante minha estadia em San Diego, visitei praticamente todas as praias e os bairros históricos com amigos que eu ia fazendo no meio do caminho, especialmente na escola onde eu me matriculei para um curso. Quando ninguém me convidava para fazer algo, eu ia lá na cara de pau e oferecia minha companhia. Hahaha. Por estar em um lugar longe do nosso ninho, parece que perdemos o medo do julgamento, sabe? Lá, éramos todos viajantes solitários, anônimos e sem passado. E por isso acabamos acolhendo uns aos outros.

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Amigos que fiz durante o tempo em que estudei em San Diego

Em um fim de semana, resolvi ir a Los Angeles. Estava quase pegando um trem sozinha, mas minha host mom Marie ofereceu carona e companhia! É incrível: quando eu estava quase colocando a solidão na mochila, aparecia alguém disposto a compartilhar comigo, seja um jantar ou uma viagem de fim de semana. E olha que nem sou a pessoa mais extrovertida da face da terra (não chego a ter fobia social, mas sou bem tímida)!

A fama de um povo que ignora os fatos alheios ao seu próprio país é justa aos americanos. Entretanto, essa imagem negativa fica para trás no momento em que passamos a conhecer os nativos – neste caso, os californianos. Eles são muito simpáticos! San Diego é a segunda cidade mais populosa dos Estados Unidos, tem clima quente, é cercada de montanhas e tem praias e parques incríveis.

Depois dessa viagem, quero fazer muitas outras – desacompanhada. É claro que amo viajar com meu marido, minha família e minhas amigas, mas quer saber? De vez em quando vou querer esse tempo só pra mim, para minhas redescobertas, para sentir que sou capaz de fazer algo por mim mesma – inclusive amigos!

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