As voltas que o mundo dá

Inspiração: Fernanda Pandolfi

Dona de uma personalidade inquieta e questionadora, Fernanda Pandolfi gosta de percorrer caminhos nada convencionais. Criada em Passo Fundo, no interior do Rio Grande do Sul, cursou jornalismo em Porto Alegre e passou temporadas em Nova York e Paris. De volta à capital gaúcha, iniciou a carreira em um dos grupos de comunicação mais importantes do país, a RBS. Ali, deu os primeiros sinais de seu potencial: como colunista social, adotou uma nova maneira de contar sobre as coisas que aconteciam no estado e no país – sempre com textos muito bem escritos.

Mas depois de um total de seis anos na empresa, em determinado momento, Fernanda não se sentiu mais desafiada na função. Decidiu largar o emprego estável e cheio de visibilidade, para apostar em duas paixões: escrever e viajar. Assim, criou o site Ida e Volta. “Levei cerca de um ano para tomar a decisão definitiva. Estava há três anos como colunista da Rede Social, no Jornal Zero Hora, um produto que criei e entreguei o meu máximo, mas que sentia que já havia se esgotado. Comecei a perceber que eu poderia oferecer mais ao mundo e passei a buscar novas alternativas. Desta minha vontade de escrever e compartilhar o meu melhor com as pessoas nasceu o Ida e Volta”, conta.

O Ida e Volta é uma plataforma de viagens, onde Fernanda escreve crônicas sobre lugares, pessoas e experiências. “A ideia surgiu porque passei a reparar que quando estava longe, fora do meu ambiente natural, minha mente ficava mais aberta e, consequentemente, a escrita melhor. Enquanto o site funciona para os textos, as redes sociais cumprem o papel de dar dicas dos destinos em que estou visitando”, explica.

Fernanda é o exemplo típico de transformação. Enquanto muitos profissionais prezam pela estabilidade e pelo conforto no emprego, ela voou na contramão desse grupo. Todos passamos por essa fase – dolorosa, revigorante e inevitável – de querer reinventar a própria vida. Para muita gente, entretanto, ela é adormecida. São escolhas pessoais e silenciosas que vão esclarecendo as coisas – calamos a voz do pensamento que diz o que deveríamos fazer e passamos a dar mais importância ao nosso compasso interno, a nossa própria voz. Quando as peças do autoconhecimento e da determinação começam a se encaixar, chega a hora de mudar os rumos.

Fernanda conta que, durante este processo, como todo mundo, também sentiu medo. “Dentro do Grupo RBS, eu estava em um momento de muita evidência. Meu maior medo era o de desaparecer. Que as pessoas deixassem de me contratar por não ter mais meu nome relacionado ao de uma grande empresa. Felizmente, não foi o que aconteceu, posso dizer que até tenho mais oportunidades de negócios e trabalhos atualmente”, diz a jornalista, que hoje conta com uma equipe para ajudar no Ida e Volta: uma relações públicas, que cuida dos detalhes da organização da agenda e do site, e um comercial, que fica responsável pelas vendas da plataforma.

Volta ao mundo

No dia 15 de março deste ano, Fernanda Pandolfi embarca para mais uma mudança significativa: vai dar a volta ao mundo. “Serão 260 dias, 37 semanas e nove meses de desconhecido. O que é maluco, já que, pela primeira vez, prevejo o que vai se passar em um ano inteiro da minha história. Começo por Cuba. Sigo para Nova York, minha cidade-mãe. Passo três meses na Europa. Desço para um mês na África. Subo para um trimestre na Ásia. Encerro a jornada com um mês na Oceania.”

Fernanda, assim como você e eu, somos a primeira geração de pessoas nutridas pela paixão: isso dá uma espécie de passaporte para seguir o coração, criar novos caminhos, explorar o mundo. E o melhor disso tudo é que  essa geração desfruta de novas perspectivas de trabalho – uma nova experiência social denominada nomadismo digital. É dessa forma que Fernanda pretende viver os próximos meses. “Acredito que a viagem – não importa para onde – é um agente de mudanças. Minhas principais transformações surgiram quando morei em Nova York e Paris. Incentivo todos a circularem pelo mundo para descobrir quantas cores, sabores e pessoas indescritíveis circulam por aí”, finaliza.

Fazer as pazes com a inevitabilidade dos obstáculos ao longo do percurso, não é algo que surge com a rapidez de um relâmpago. Nem sempre o equilíbrio está lá quando precisamos dele – mas ele vai dando as caras no meio da jornada. Por isso, decisões como a da Fernanda, a nossa inspiração para o texto de hoje, são tão significativas. Se a gente não se reinventa, não se sente desafiado, o ciclo começa a dar sinais de que está no fim.

Nos próximos textos, vou falar sobre mudança de emprego (e de área, ou ambos), e nossa eterna busca pessoal por uma vida cheia de significado. Conta pra mim, nos comentários: o que você achou da história de hoje? Um beijo, com amor.

  1. Valeska Aguiar

    Fevereiro 24, 2017 at 12:29 am

    Amoo ver esse sangue esmeraldense brilhando mundo a fora! Ainda, ver como, na verdade, esse mundo nem é tão grande assim! Conheço as duas, e nós 3 temos nossas raízes em Esme! Muito feliz pelo sucesso e realização de ambas e com “invejinha” da coragem também!!
    Sigam nos inspirando!!!!
    Beijos no coração!

    1. Deni

      Fevereiro 28, 2017 at 4:26 pm

      Valeska querida! Obrigada pelas palavras! E que bom que gostou do texto! Tenho lindas lembranças de você, pequenininha ainda, em nossa cidade natal! Beijos, com carinho!

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