Revolucionando o (seu) trabalho

Tem uma frase do Warren Buffet que gosto muito, e reflete as muitas opiniões que tenho na vida: as pessoas sempre tentarão impedi-lo de fazer a coisa certa se ela for diferente. Quer sair do emprego para viajar o mundo? Ah, que aventureiro! Quer largar tudo e criar o próprio negócio? Puxa, mas nessa crise!? Quer ficar a vida inteira em uma mesma empresa? Nossa, que acomodado! Ou seja… sempre vai ter alguém para criticar sua escolha.

As pessoas em geral fazem aquilo que se espera delas, e aí quando aparece alguém com um pensamento diferente… opa, esse aí é do contra! Eu, por exemplo, nunca caí na armadilha de achar que o sucesso é acúmulo de dinheiro e poder. Quando isso acontece, perco a capacidade de questionar, de me reinventar, de me conectar com a força interior. Trabalhar até a exaustão apenas para garantir uma conta gorda no banco não é sinal de honra – pra mim, significa covardia. Essa cultura de sentir orgulho de só trabalhar duro, virar a noite na empresa e se doar 100% apenas para o trabalho não deveria ser disseminada.

Há uma diferença grande entre trabalho e emprego. O trabalho é o nosso ofício, ou vocação ou como queiram chamar o que fazemos no dia a dia, seja numa empresa, num negócio próprio ou até mesmo como bico. Já o emprego, na forma como o conhecemos, é um fenômeno mais recente: tem em torno de 200 anos de história, e nasceu com a revolução industrial. A forma como vemos o emprego tem se transformado, especialmente nos últimos 20 anos, e mais aceleradamente nos últimos 10, quando a tecnologia se tornou acessível a maioria. A lealdade do funcionário a uma empresa por muitos anos, em troca de segurança e um salário no fim do mês, já não faz muito sentido. Nossos pais cresceram acreditando nisso – nós não.

O que acontece hoje em dia, então, é que muitos profissionais já chegam com outra mentalidade no mercado de trabalho. Ficam numa empresa pelo projeto que ela oferece, e não pela marca ou pelo salário. Vestem a camisa da empresa, sim, mas por cima da sua. E não estou falando de trabalhar menos. Essa história de que é possível trabalhar 4 horas por semana, como o Timothy Ferriss, só acontece para uma parcela mínima da população – e não acredito que isso seja fácil efetivamente. Mas o lance é trabalhar com qualidade. Essa deveria ser a verdadeira abordagem: em vez de querer trabalhar 4 horas por semana, porque não descobrimos um jeito de melhorar o nosso trabalho?

As decisões de carreira hoje levam mais em conta os projetos de vida, a saúde e o tempo para se dedicar à família. Antigamente escolhia-se uma profissão para a vida toda, hoje é possível mudar de função, de setor e de área, ou mesmo fazer várias coisas ao mesmo tempo. Com a tecnologia atual, as coisas acontecem em velocidade muito superior e as carreiras já não tem fronteiras. As próprias empresas começaram a perceber que, para reter os melhores talentos, é preciso oferecer mais do que um bom salário: é importante prezar pela felicidade dentro do ambiente profissional. Afinal, trabalha melhor quem trabalha feliz, e isso não é um clichê.

Vou terminar este texto com uma reflexão do Chris Guillebeau (sempre ele!): o fato de ser possível ter uma vida baseada naquilo que você gosta de fazer está longe de ser amplamente aceito. O modelo convencional ainda é o mito do adiamento da gratificação – passar a maior parte dos anos produtivos da nossa vida acumulando uma riqueza que só poderá ser usufruída depois de anos ou décadas, em um futuro distante. Pense nisso. E, por fim, lembre-se de uma coisa: ninguém se interessa mais pelo seu bem-estar do que você mesmo. É você quem cria a sua segurança, seja em um emprego convencional ou trabalhando por conta própria.

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