Como lidar com essa gente difícil de lidar

Devo confessar que sou dessas que crê em horóscopo. Já fiz o mapa astral, consulto uma taróloga uma vez por ano e, sim, diariamente leio meu horóscopo na Zero Hora. Sou a típica nativa de Libra com ascendente em Áries: tenho meus momentos de indecisão libriana perfilados pelo lado intempestivo do fogo de Áries. Dia desses, meu horóscopo dizia assim: “as pessoas abrem o sorriso, mas lá no fundo torcem para que tudo dê errado com você, para depois poder parecer solidárias e gentis. Nessa parte do caminho será melhor distanciar-se da maior parte dos relacionamentos”. Passei o dia refletindo sobre o que li.

É claro que ao longo dos meus trinta e poucos anos de vida eu fui me distanciando naturalmente de pessoas com as quais não tinha mais afinidade. Os interesses foram mudando, as ideias foram se desencontrando, e aquele brilho se apagou. But, by god, ler que “as pessoas abrem o sorriso, mas lá no fundo torcem para que tudo dê errado com você” é um pouco assustador, não é mesmo?

Vou desenhar o que aconteceu certa vez comigo. Depois de uma noite mal dormida e com a mente cheia de expectativas em relação a uma promoção no local de trabalho, uma colega se revelou grosseira – aliás, ela não fazia questão de fingir que gostava de mim. Deixou claro que só me respeitava porque o chefe apostava em mim – mas não admirava nem um pouco o meu estilo de trabalho. Aos 20 anos de idade, eu não era preparada para ter controle e encarar com profissionalismo as situações tensas que pudessem surgir. Aquela era apenas a primeira das muitas agressões verbais, cinismo e atritos com os quais eu confrontaria ao longo dos anos.

Por um bom tempo, eu entrei no jogo da colega e respondi com represália. Com isso, os conflitos ganhavam uma dimensão ainda maior e o resultado era horroroso: ambiente pesado, mau humor e sofrimento. Eis então que descobri um livro chamado Pessoas Maléficas, de Lilian Glass (Editora Best Seller), e comecei a entender que as pessoas são agressivas por diversas razões: para se sentirem melhor, porque tem ciúmes, porque estão tendo um dia péssimo, ou porque simplesmente não gostam da gente. Ao sermos vítimas de ataques verbais, raramente pensamos nas razões pelas quais fomos atacados. E aí está o nosso erro. Às vezes, aquela pessoa é quem está com um problema, e resolve descontar naquele que julga mais fraco. Pode ser que ela nem seja tão hostil, mas apenas insensível. Quando passei a pensar dessa forma, juro que minha vida começou a se transformar.

Isso já aconteceu com a maioria de nós, em uma ou outra ocasião. Já fizemos comentários maldosos sem querer, ou fizemos observações desagradáveis. Eu, por exemplo, costumo ser sincerona – e quando finalmente percebo que disse algo estúpido, é tarde demais. OK. Somos humanos. Mas, afinal, o que leva as pessoas a agirem do modo como agem?

No livro, aprendi que a inveja (essa palavrinha que odiamos) é um dos gatilhos para comportamentos indelicados ou agressivos. Olhar para os outros reforça o sentimento de frustração: quando vemos o nosso amigo com uma vida que parece perfeita, pensamos as piores coisas a respeito de nós mesmos! Afinal, ele tem uma casa enorme e linda, um relacionamento incrível, um carro novo na garagem, tem um corpo escultural, um closet cheio, uma gorda conta bancária, viaja pelo mundo, e além de tudo oferece festas maravilhosas, cheias de convidados que parecem amá-lo sinceramente. Está sempre de bom humor e todas as pessoas com quem você conversa gostam dele. Nesse caso, porque você o odeia tanto? É porque você pensa que ele tem tudo, e em vez de se sentir feliz pelo seu amigo e usar isso como motivação para melhorar a própria vida, você vai querer destruí-lo. Comentários sarcásticos, respostas desencorajadoras e falsos elogios são alguns dos sinais de que sim, há inveja na área.

Tem ainda aquelas pessoas que odeiam você quando o conhecem melhor. Você já ouviu aquela piada depreciativa: “eu não seria sócio de nenhum clube que me aceitasse como sócio”? Pois então. Se você se considera feio, ruim, indigno de ser amado, como pode amar outra pessoa? Conheço milhões de pessoas que começam um relacionamento com alguém que é maravilhoso no início, e depois vira egoísta e agressivo, no melhor estilo príncipe que vira sapo. Ou seja, a pessoa que é motivada pela insegurança ou que não gosta de si mesmo, nunca vai se sentir bem em relação às pessoas que fazem parte da sua vida, sejam eles colegas, amigos ou namorados.

Em resumo, aquela frase que eu li no meu horóscopo, de que as pessoas abrem o sorriso, mas lá no fundo torcem para que tudo dê errado com você… é verdade. Calma, não estou generalizando. Mas o melhor conselho que podemos absorver é: você não pode agradar a todo mundo, portanto trate de agradar a si mesmo. As pessoas não vão gostar de você se for bem-sucedido. Elas também não gostarão se você for um fracasso. Vão amar você ou odiar você por seu sucesso ou por seu fracasso – e não há nada que você possa fazer a respeito.

Não importa a razão pela qual somos perseguidos ou rejeitados: seja por sermos bonitos ou feios, por sermos gordos ou magérrimos, muito altos ou muito baixos, inteligentes ou burros. Temos que aprender que, enquanto tivermos amor próprio e nos aceitarmos como somos, o que os outros pensam e dizem a nosso respeito, simplesmente não tem importância. Assim, fica bem mais fácil lidar com essa gente difícil de lidar.

Você tem histórias de conflitos com pessoas difíceis? Deixe seu comentário!

 

  1. Sandrine

    Abril 21, 2017 at 2:46 am

    Muito bom esse texto! Meu deus, abriu meus olhos! Hehe! Obrigado!

  2. Ana Paula

    Abril 21, 2017 at 2:48 am

    Estou amando seus textos e seu blog! Parabéns, sou sua fã! Beijo.

  3. Jomara

    Maio 8, 2017 at 10:29 pm

    Por isso sempre levei (quase) ao pé da letra a máxima de minha mãe……”Reze para que quem não gosta de você fique feliz, quando felizes eles esquecerão de te odiar’ (troquei o rezar por torcer) 😉

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