Desapegar também é transformar

Deixa eu te contar um segredinho: eu sempre fui muito consumista. Comecei a trabalhar muito cedo, e por isso tinha um certo fascínio por compras – aquela sensação de ter o próprio dinheiro e poder adquirir o que bem entendesse. Pois é, durante anos eu mantive guarda-roupas abarrotados, não repetia sapatos, adorava preencher a casa com novos objetos de decoração, comprava livros que nunca saíram da estante.

Minha vida começou a mudar há exatamente 3 anos, quando comecei a perceber que eu perdia mais tempo e energia mantendo aquilo que eu já tinha – era um tal de “vou ter que comprar um novo armário para acomodar os sapatos” e “onde está aquela blusa que só usei uma única vez?” além de outras frases clássicas de quem tem coisas demais. Cheguei ao ponto de pensar que eu era uma daquelas acumuladoras compulsivas de programas de TV americanos – tirando o fato de eu não acumulava lixo, mas sim coisas desnecessárias mesmo.

Um dia, caiu em minhas mãos um tal livro chamado A mágica da arrumação, da japonesa Marie Kondo. Antes de ler o prefácio, eu já fui logo imaginando que seria uma dessas leiturinhas de donas de casa, que ensinam como manter os lençóis perfumados e separar os potes plásticos por categoria. Ledo engano. O livro ensina uma lição fundamental: enquanto você não liberar espaço nas suas gavetas, você não libera espaço na sua cabeça. E sabe que isso fez todo o sentido pra mim?

Primeira regra aprendida: não perder mais tempo e energia arrumando ou guardando objetos que não servem para nada. Não usa uma blusa há anos porque não tem mais nada a ver com sua imagem atual? Descarte. Doe. Jogue fora. E dê espaço para novas coisas. De acordo com a autora, o processo de desapego tem um único objetivo: organizar a casa para fazer ajustes em sua própria vida – e assim começamos de fato a mudar.

O que aprendi com o livro

Tirar as coisas do campo de visão cria a ilusão de que a bagunça foi eliminada, mas não se engane: a gente precisa sim descartar os objetos de vez – e não apenas guardá-los. A autora ensina que o trabalho de organização deve ser completado no menor tempo possível, como se fosse uma maratona. Sabe por que? Porque quando se organiza o ambiente por completo, todo o cenário ao redor se transforma, e isso afeta a mente positivamente. Mas confesso que eu ainda estou nessa maratona. Eram tantas coisas, tantas roupas, tantos livros, apostilas, revistas… que eu simplesmente não consegui descartar tudo de uma vez só. Fui aos poucos, começando com as roupas. Primeiro, doei metade do meu guarda-roupa para uma instituição carente. Depois, fui escolhendo a dedo aquelas que eu poderia vender. Organizei alguns bazares com amigas e criei um brechó online. O mesmo fiz com os calçados e com alguns objetos de decoração.

Meu processo ainda continua, principalmente com os livros. Tenho apego emocional com meus papéis. Parece tolice, mas sempre penso que em algum momento vou querer ler aquele livro outra vez. Essa parte da organização estou fazendo com cautela – mas já consegui eliminar muita papelada também. Com o livro, entendi que o nosso espaço deve ser preenchido com as coisas que realmente amamos. Deixando de lado algo que já não serve a um propósito – e acolhendo algo novo em seu lugar – pode ser profundamente terapêutico.

A dica principal do livro é: concentre-se naquilo que você quer manter, e não no que você quer jogar fora. Organize suas coisas por categoria, examinando de perto cada objeto com seus olhos e mãos. Pergunte a si mesmo: isso me faz feliz? Por exemplo, aquela jaqueta já foi emocionante no passado, mas agora só recolhe poeira. Deixe-a ir com gratidão, e siga em frente.

A melhor lição que estou tirando disso tudo é: nosso espaço de vida pode ser um meio de desintoxicação do corpo e da mente. Descartando e reorganizando nossos objetos, nossas roupas e nossa casa, a gente vai efetivamente se livrar de toda a poeira que se estabeleceu ao longo do tempo, trazendo ar fresco e transformando a vida.

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Saiba por que a transformação acontece fora da zona de conforto

  1. Isabella

    junho 1, 2017 at 2:01 pm

    Quero suas dicas para o meu primeiro intercâmbio pra fazer um curso de inglês, junto com o meu filho de 17 anos.

  2. Ana

    junho 6, 2017 at 2:39 pm

    Sempre muito bons esses teus textos… 💛
    Eu estou num processo de me preparar para ler este livro, mas desapegar (e principalmente das coisas emocionais) é muito difícil ainda… 😫
    Mas esse teu textinho já ajudou a dar um passo interno hehehe
    Bjs

  3. Deni

    junho 7, 2017 at 6:18 pm

    Ana, querida, obrigada! Não é fácil desapegar, mas com a prática a gente consegue! Eu também não consigo ser extremamente desapegada… hahahaha! Beijos!

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