Trocando coisas por experiências

Ah, pois é, resolvi retomar o assunto da semana passada! Foram tantas pessoas me perguntando como eu estou conseguindo desapegar, que hoje eu vou contar um pouco sobre como está sendo esse processo na minha casa. Como falei no texto anterior, desapegar também é transformar! Por isso o livro da Marie Kondo, chamado A Mágica da Arrumação, foi tão fundamental nessa minha decisão. Lembrando: eu ainda estou fazendo uma limpeza nos meus armários e na minha vida, porque pra mim ainda não é uma coisa fácil ou rápida. No entanto, posso dizer que já resolvi 70% da falta de espaço e já me livrei de metade dos entulhos. Acredite, eu tinha muitas coisas, e por isso o processo está sendo demorado – e um tanto libertador.

O livro ensina que a relação que a gente tem com os nossos pertences vai seguir um padrão que se enquadra em uma dessas três categorias: apego ao passado, desejo de estabilidade no futuro ou a combinação de ambos. É importante entender o nosso padrão porque ele é uma expressão dos valores que norteiam a nossa vida. A decisão sobre que objetos a gente deve guardar é, na realidade, uma definição sobre que tipo de vida nós desejamos viver. É incrível como o apego ao passado e o medo do futuro governam não só o modo como escolhemos as coisas que guardamos, mas também como a gente se relaciona com as pessoas.

Quando um desses padrões de pensamento atrapalha o descarte, não conseguimos enxergar o que realmente desejamos. Se você mantém em casa aquilo que não traz felicidade, não terá espaço físico e mental para o que realmente importa. A consequência disso tudo, segundo Marie Kondo, é o consumo desnecessário. Mas a melhor maneira de descobrir o que queremos de verdade é começar a descartar aquilo que não queremos.

Todo esse processo pode ser doloroso: ele confronta nossas imperfeições e inadequações, e nos faz encarar as escolhas erradas que fizemos no passado. As coisas que temos hoje são resultado das nossas escolhas do passado, e somente quando encaramos nossos pertences e experimentamos o sentimento que eles provocam, é que podemos definir nossa relação com eles.

 

A mágica da arrumação: como estou praticando

Algumas coisas resolvi fazer por conta própria, sem dar muita atenção às regras do livro. Por exemplo, a autora diz que temos que fazer o processo de descarte das coisas de uma só vez. Não estou fazendo dessa forma. No meu caso, esse processo já dura 3 anos. Com as roupas, eu fiz o seguinte: imaginei que faria uma viagem muito longa e todos os meus pertences precisavam caber em duas malas de 32 quilos cada. A partir daí ficou mais fácil saber o que era verdadeiramente essencial na minha vida.

Todo ano, tenho feito uma doação de tudo que não usei. Bom, ainda tenho muito o que organizar, mas posso dizer que eliminar mais da metade das roupas que eu tinha me deu uma sensação de leveza impressionante. Fiz uma conta superficial das peças que mandei embora: mais de 300. Pois eu era mesmo a velha louca dos gatos e dos casacos…

Uma dica: quando você iniciar o processo de ordenamento, comece com as categorias mais fáceis, por exemplo, roupas, documentos, itens diversos, e termine com seus itens sentimentais. Pra mim, as fotos, os livros e os DVDs são os mais difíceis por causa do apelo emocional. Mas como está no livro, é interessante fazer sempre a pergunta: isso me traz felicidade hoje?

Esta é a parte mais difícil do processo de arrumação: jogar coisas fora. O livro não ensina isso, mas eu aconselho a fazer um bazar das coisas que você não usa mais, como eu fiz. Mas não esqueça: só venda objetos ou roupas que estiverem em excelente estado de conservação. O que é velho, feio e inútil deve ir direto para a lixeira. Outra dica para quem sofre bastante com o desapego é a doação de itens a instituições de caridade. Repetindo: só doe aquilo que realmente seja útil e esteja em ótimo estado. Lixo deve ir para o lixo.

Apenas mais uma consideração: o que não conseguir vender, doe. Imediatamente. A casa dos pais não é um refúgio para suas recordações. Despachar objetos para outro lugar é como empurrar a sujeira para debaixo do tapete.

A quantidade média de coisas descartadas por uma só pessoa no processo de desapego chega facilmente a 30 sacos de lixo de 45 litros cada. A grande lição que tirei da leitura: o espaço onde moramos afeta nossa saúde física e mental. Muitas pessoas perdem peso depois que terminam o processo de organização. Acumulamos coisas pelo mesmo motivo que comemos – para satisfazer um desejo. Marie Kondo afirma que, embora não haja uma base científica para esta teoria, é interessante ver que a parte do corpo que reage corresponde exatamente á categoria que foi colocada em ordem. Ao se livrar das roupas, as pessoas perdem barriga. Ao jogar fora documentos velhos e livros sem uso, começam a raciocinar com maior clareza. Quando reduzem o número de cosméticos, a pele melhora. E não é que isso acontece mesmo?

Antes de finalizar todo o meu processo de organização da casa e da vida, decidi que não compraria mais nada que não me trouxesse alegria absoluta. Prefiro usar meu dinheiro fazendo uma tatuagem, viajando ou tomando cerveja com as amigas. Trocar coisas por experiências – hoje isso é o que faz sentido pra mim. É claro que não sou xiita – se eu gostar de algo, vou comprar sem problema algum. Mas aquele consumo desenfreado do passado definitivamente ficou para trás!

Gostou do texto? Pois a intensão desse blog é trazer reflexões e propor alternativas para uma vida com mais liberdade, porque afinal de contas, a transformação acontece fora da zona de conforto.

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