Perrengue em viagens: acredite, você consegue superar isso!

Por Sabrina Didoné

Viajar não é só coisa boa. Viajante passa por muito perrengue, daqueles que fazem a gente pensar: por que eu não fiquei em casa? Quero voltar! Sim, acontece também, não é só glamour. Mas esses percalços, às vezes, são o ingrediente principal que nos permite crescer tanto ao cruzar a soleira da porta de casa em busca da aventura, do novo, do diferente e – por que não? – das semelhanças que conectam a todos nós, humanos.

Por si só, há a questão da persistência. Continuar longe de casa quando tudo o mais dá errado faz a gente aprender a não desistir, a ter paciência que daqui a pouco as coisas melhoram. E não seria esse um resumo da vida? A nossa trajetória também não é só coisa boa. Mesmo no emprego dos sonhos há dias ruins. Então, há que se ter paciência e compreender que pra tudo há mais que dois lados, mais que branco e preto. A vida – e as viagens, por consequência – é cheia de nuances, e enxergar todas as matizes de cores é que faz dela melhor, mais divertida e mais sábia.

Mas há um outro fator que faz a gente crescer tanto quando enfrenta esses perrengues em viagens. A questão da autoconfiança. A questão de entender que, se tudo der errado, se dá um jeito de resolver. Porque já passou por outras situações assim, semelhantes, e deu um jeito. No fim, mesmo pulando vários obstáculos, deu certo. Esse texto aqui fala exatamente sobre isso.

Eu, quando comecei a viajar sozinha, poucos anos atrás, ficava nervosíssima. Verificava mil vezes se não tinha esquecido os documentos, se não tinha perdido nada. Perguntava uma mesma informação para três funcionários diferentes da cia aérea. Não é que hoje eu não faça mais isso – oi, obsessão – mas acho que eu comecei a relaxar. Agora, quando começo a ficar ansiosa por algo em uma viagem, eu digo para mim mesma: se der errado, eu sei que vou saber resolver. Vou dar um jeito de me virar por aqui.

Sabrina visitou o Peru em agosto deste ano

Aconteceu isso em uma viagem recente ao Peru. Viajei em família, mas fui eu a organizadora de tudo: comprei as passagens, os ingressos das atrações, os bilhetes do trem, tudo. Bem, quando cheguei em Cusco, percebi que tinha cancelado o cartão de crédito com o qual eu havia comprado os ingressos para Machu Picchu, e estava escrito expressamente que era necessário mostrar na bilheteria. Pronto! Um turbilhão de coisas passaram pela minha cabeça, imagens da minha família decepcionada comigo. Aposto que até tinha comprado o ingresso do trem pro dia errado, aposto que tudo daria errado e eu jamais me perdoaria! É, sim, eu poderia perdoar se uma agência de viagens cometesse um erro assim. Mas jamais perdoaria a mim mesma.

Quando cheguei a esse extremo de conclusões, percebi que era só a minha mente me boicotando, sendo dura comigo mesma. E lembrei que eu já tinha uma certa bagagem de viagens pra saber como lidar com as situações que aparecem e exigem destreza para resolver. Se não dá certo de um jeito, a gente improvisa de outros, certo? Resolvi relaxar e curtir o percurso – mas confesso que respirei aliviada ao passar pelos portões de Machu Picchu sem ninguém ter pedido o tal do cartão de crédito.

Essa viagem ao Peru me trouxe mais do que o aprendizado de que, se tudo der errado, confio em mim mesma pra saber resolver. Ser dura demais consigo mesma não é uma boa estratégia, melhor manter a calma e resolver da melhor forma possível. Saber que eu consigo resolver as questões que vão aparecendo no caminho, um aprendizado que para mim foi intrínseco às minhas viagens, também me fez uma profissional melhor. Eu aplico esse autoconhecimento no meu dia a dia, confiando que, se eu errar, vou trabalhar para minimizar os danos e achar novas soluções. Não é questão de relaxar e deixar a vida me levar. É questão de não permitir que o medo de errar me paralise.