Essencialismo: escolha o que faz sentido para você

Como prometido, hoje vou falar sobre um tema que está fazendo a minha cabeça há algum tempo: o essencialismo. Como já falei rapidamente por aqui, eu estou trabalhando atualmente por conta própria. Faço produção de conteúdo para algumas empresas e, no último ano, escolhi fazer isso de forma muito natural – aceitando algumas propostas e recusando outras. O fato é que, depois que eu pedi demissão, passei realmente a priorizar algumas coisas que considero importantes para mim. Primeiro, estou tentando levar uma vida mais leve, com menos coisas e menos aborrecimentos – eliminando o desnecessário através de um transformador processo de desapego. Em segundo lugar, comecei a refletir sobre qual é o meu propósito neste mundão de meu deus – inclusive a respeito das minhas próprias escolhas profissionais.

Eis que, este ano, caiu em minhas mãos o tópico “essencialismo”. Pode acreditar – eu nunca tinha ouvido falar nisso, até ver alguns vídeos da Fernanda Neute sobre o assunto. E então li o livro “Essencialismo: a disciplinada busca por menos”, de Greg Mckeown (Editora Sextante), que fala basicamente sobre o que é importante na vida: encontrar paz e significado em meio a um mundo barulhento (um desafio que exige um certo esforço, mas que seguramente vale a pena).

O livro diz que uma pessoa essencialista foca nas coisas que importam. Não se trata de uma técnica de gestão de tempo, tampouco sobre minimalismo extremo, e sim de priorizar o essencial, aquilo que faz sentido para a gente – e eliminar todo o resto. Acho importante esse aprendizado: reduzir aquilo que só enche linguiça na nossa vida e manter o foco nos próprios objetivos. É entender a diferença entre o desnecessário e o indispensável.

Na minha experiência pessoal, uma das coisas que mais me tirava energia na vida era me sentir sobrecarregada e improdutiva ao mesmo tempo. Diante disso, eu ficava ansiosa e rodando em círculos, o que me trazia ainda mais insatisfação. Aprendi que o problema não era o que eu estava fazendo e sim por que eu estava fazendo aquilo que não queria. Aí a ficha caiu. Eu não era nada seletiva! Fazia aquilo que não queria só para agradar as pessoas, e dizia sim a quase todas as propostas que me apareciam pela frente, só para não “perder a oportunidade”. Eu pensava; “vai que um dia eu me arrependa!”

Agora, eu posso dizer que me arrependi, sim, mas não de ter recusado propostas, e sim de não ter feito escolhas melhores para minha vida no passado. O essencialismo diz que você pode fazer menos, mas melhor. E no mundo atual, com tantas táticas para produzir mais em menos tempo e lutar por cargos de liderança (que pra mim não fazem o menor sentido), o essencialismo parece chegar meio na contramão de toda essa lavagem corporativa.

A forma como vemos as coisas afeta nossa forma de sentir. A ideia de que o sucesso é definido pelo dinheiro e poder é frágil e insustentável, mas infelizmente é tão difundida que se incorporou na opinião pública já. É mais bonito ter milhões de afazeres, ler oito jornais diários, estar com o corpo em dia e a alimentação orgânica sobre a mesa, e ainda ser uma excelente pessoa no ambiente familiar, sempre abastecendo o Instagram com imagens #nofilter do cotidiano. Mas para mim, viver com excesso de coisas e atividades só me traz problemas, posso dizer assim. Eu não quero fazer tudo. Eu não quero ter um milhão de amigos, ser o primeiro lugar em vendas, ser a líder de torcida. Não. Não. Não. Eu quero ter o que me importa, o que é suficiente para minha vida e fazer escolhas conscientes: trabalhar melhor, ter harmonia com as pessoas com quem convivo, focar na essência mais do que na aparência. Antes de desenvolver argumentações poderosas, quero fazer o bem e ser uma pessoa de valor.

Mas tudo isso implica em renúncias, eu sei. O autor do livro diz que, quando a gente sabe o que é essencial, conquista o direito de recusar coisas irrelevantes: tarefas, objetos e pessoas. E ressalta que é perfeitamente possível recusar certas coisas de forma educada, porém firme. Ter essa clareza pode trazer uma vida mais equilibrada, não da forma clichê como a buscamos, mas como um movimento constante no estabelecimento de prioridades verdadeiras. Uma das coisas que o livro sugere é: se não estabelecermos prioridades, alguém fará isso por nós.

Se você se identifica com isso, dá uma olhada no texto sobre essencialismo que está no blog do Oliver Thi. Ele sintetiza de uma maneira simples como é viver uma vida essencialista. Espero vocês no próximo texto. Beijos, com amor.

  1. Katiuscia

    novembro 13, 2017 at 10:46 pm

    Meu Deus! O texto perfeito na hora exata. É o universo conspirando a favor do meu coração❤️
    Eu AMEI! Melhor coisa que eu li hoje. Explica exatamente como estou me sentindo. Obrigada.

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