Trabalho e propósito de vida: dá para conciliar?

Quando decidi largar meu emprego convencional, eu ainda não tinha total certeza se o que eu queria fazer ia dar certo. Sabe? Eu estava plenamente satisfeita com meu trabalho na empresa, mas um grande imprevisto me levou a tomar a decisão de pedir as contas… E então veio aquela dúvida cruel: e agora? Eu definitivamente não sabia se estava pronta para tirar meus planos do fundo da gaveta.

Eu tenho certeza que isto acontece com muita gente, mas elas tem vergonha de confessar… Será que eu estou pronta para fazer aquilo que amo? Este foi meu questionamento diário, por meses. O que eu queria era trabalhar online, por conta própria… mas como? Pois então entrou aí a palavrinha mágica: pla-ne-ja-men-to! Eu planejei a minha saída da zona de conforto – simples assim.

Primeiro, comprei vários cursos online da área na qual eu gostaria de me especializar (produção de conteúdo, já que sou jornalista). Estudei por meses a fio. Pesquisei sobre o mercado. E em nenhum momento eu tirei da cabeça o meu propósito de vida! Então, foi muito natural que o meu entorno fosse se movimentando para começarem a aparecer os primeiros clientes: empresas que precisavam do meu serviço.

Mas isso não se deu do dia para a noite. Foi preciso um período de descoberta, de compreensão, de um projeto de desenvolvimento de habilidades. Quando a gente percebe que as coisas não estão funcionando de um jeito, é preciso tentar de outro. E todo esse período de aprendizado vem acompanhado de insegurança: isso é perfeitamente natural. Mas esse período de transição, de mudança, é um momento excelente para se perguntar por quê. E é um momento excelente também para ouvir a resposta.

Com essa reflexão, passei a pensar como eu gostaria que fosse meu trabalho – sem deixar de pensar em meu propósito de vida. Por exemplo, trabalhar até a exaustão apenas para garantir uma conta gorda no banco não é sinal de honra – pra mim, significa covardia. Mas não estou falando de trabalhar menos, e sim trabalhar com qualidade, fazendo escolhas conscientes e pensar no que é verdadeiramente essencial. Era isso que eu buscava. É isso que eu continuo buscando – porque o processo não acabou.

Nessa jornada, sinto informá-lo, estamos sozinhos. Não temos para quem olhar, a não ser para nós mesmos. Quanto mais resistimos, maior se torna a espera. Enquanto não descobrimos nosso propósito, nada feito. Podemos ficar nesta etapa de descoberta o tempo que for necessário, não apenas para ficarmos prontos (se bem que, prontos, nunca estamos!), mas para que o nosso entorno também fique.

Mas isso não significa que temos que ficar parados, esperando as coisas caírem do céu. Significa que, mesmo estando neste processo de descoberta, podemos ter experiências valiosas. Nosso trabalho é evitar cair nas mesmas armadilhas: trabalhar em algo que não gosta ou não quer, apenas pelo cargo ou pelo salário.

Então, a minha dica é: ninguém se interessa mais pelo seu bem-estar do que você mesmo. É você quem cria a sua segurança, seja em um emprego convencional ou trabalhando por conta própria. Trabalhar por anos naquilo que você não gosta vai trazer alguma recompensa (geralmente, é só recompensa financeira mesmo) – mas você estará perdendo tempo! E tempo, meus amigos, é algo que não se recupera mais!

Conta pra mim, no espaço de comentários… Você também está neste processo de busca pelo propósito?

  1. Alessandra Fiuza

    dezembro 11, 2017 at 1:26 am

    Texto maravilhoso. Estou nessa fase de descobrir o meu propósito.

    1. Deni

      dezembro 11, 2017 at 11:27 am

      Alessandra, querida! Desejo toda a sorte do mundo para você nesta descoberta! Tamo junta! hehe!! Obrigada pelo comentário!!

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