Trabalho remoto: o que estou aprendendo com isso

Hoje vou falar sobre a minha experiência com o trabalho remoto! Mas antes, deixa eu contar para você por que eu decidi trabalhar desta forma. Quando criei este blog, eu estava em um processo de descoberta interna. Queria falar sobre minhas experiências, e também ajudar as pessoas na busca por uma vida com mais liberdade – seja viajando, abandonando um emprego que sufoca, fazendo uma transição de carreira ou simplesmente aprendendo algo novo. Eu havia recém saído de uma empresa na qual me realizava, mas que passou a atravessar uma crise séria. Quando contemplei uma situação profissional insustentável, pedi demissão antes que o barco começasse de fato a afundar. Sem mágoas. Apenas com a simples e profunda observação de que mesmo o lugar mais seguro do mundo… pode não ser tão seguro assim.

Com a decisão de largar o emprego, eu já tinha em mente o que gostaria: trabalhar de forma independente, em casa ou de qualquer lugar. Foi um processo longo – meses de estudo, preparo e planejamento (inclusive financeiro) – para finalmente ter um trabalho para chamar de meu. Um trabalho remoto e online! Era tudo que eu queria – viajar trabalhando, trabalhar viajando… Mas descobri que não é tão simples assim!

Calma, vou explicar.

Com a mão na massa, comecei a perceber que aquela vida perfeita de nômade digital viajando pelo mundo e trabalhando à beira da piscina não é tão perfeita assim. Primeiro, porque o trabalho diário exige de você alguns sacrifícios e muitas horas trabalhadas. Para viajar, é preciso trabalhar menos durante a viagem – e adiantar tudo que puder, antes de chegar ao destino… Simples assim! É possível? Claro que sim! Mas é mais trabalhoso do que as pessoas que sonham com este estilo de vida pensam.

Para trabalhar como nômade digital, é preciso também (e lá vem ela… a palavrinha mágica!) planejamento! E foi exatamente isso que eu fiz. Planejei por muito tempo antes de me jogar de cabeça. Então, se você quer um trabalho remoto, planeje. É maravilhoso, sim. Mas é como qualquer outra coisa na vida: exige dedicação e compromisso. E isso nem sempre pode ser feito no mesmo dia em que se pula de paraquedas na África do Sul.

Por outro lado, o trabalho remoto me possibilitou, sim, planejar uma viagem longa em pleno mês de março – vou para o Canadá e ficarei por um mês, fazendo meu quarto intercâmbio da vida! Mas vou falar mais sobre isso até lá, ok? Durante essa viagem, vou levar meu trabalho comigo. Porém (e sempre tem um porém) isso vai exigir muitas horas a menos de sono, para que possa de fato aproveitar os estudos e os passeios por lá. Vou deixar de sair à noite para ficar trabalhando. Vou aproveitar os intervalos de almoço para trabalhar online em um Starbucks qualquer. Capicci?

Como sempre, a palavrinha mágica entra em ação: pla-ne-ja-men-to.

O lado maravilhoso do trabalho remoto

Para além dos percalços, como eu já escrevi anteriormente aqui no blog, eu posso dizer que esta escolha é incrível porque:

  1. Eu escolho como, com quem e onde quero trabalhar. Recuso convites quando não tenho vontade nenhuma de sair de casa. Para minha surpresa, essa maneira de agir está me deixando mais segura para descobrir o que não quero pra minha vida.
  2. Estou aprendendo a dizer sim. Pois é. Isso também era difícil pra mim. Tomar um café com amigas no meio da tarde? Agora eu posso. E estou fazendo isso sem a menor culpa. Afinal, não era isso que eu sempre quis? Tempo e qualidade nos relacionamentos? Pois então esse é o momento para cultivar isso, oras!
  3. Estou respeitando minhas habilidades, minha inteligência, meu próprio tempo. Estou me olhando de maneira favorável, e não me culpando por não saber tudo. Durante muito tempo, trabalhando em empresas convencionais, a minha postura parecia ser de outro papel que eu desempenhava. Sabe a “síndrome do impostor” – a nossa suspeita secreta de que estamos fingindo, de que não somos tão bons assim naquilo que fazemos? Eliminei esse sentimento. Agora, estou estudando coisas novas para minha carreira, e sorrindo para o fato de que nunca saberei tudo. O mundo muda muito rápido, e é utopia achar que sempre teremos conhecimento de tudo.
  4. Não uso mais roupas e sapatos que me fazem esperar ansiosamente pelo momento de voltar para casa e tirá-los.
  5. Aprendi que a segurança completa não existe. Nem em uma empresa convencional, nem em uma instituição pública, nem com o empreendedorismo, nem mesmo em uma prisão de segurança máxima. Se você parar para pensar, há milhões de coisas ruins que podem acontecer… e a segurança é uma ilusão. Muita gente luta para garantir a segurança, entretanto quanto mais segurança se consegue, menos liberdade se tem.

Fazer as coisas ao meu tempo é como uma declaração de independência. E o trabalho remoto me permitiu isso. Posso dizer sem medo que eu assumi um primeiro e crucial compromisso: sempre dizer sim a mim mesma!

E você, já teve uma experiência de transição como essa? Conta pra mim nos comentários.

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