Manifesto

A transformação acontece fora da zona de conforto

 

 

Meu primeiro passo fora da zona de conforto foi entrar em um avião durante 20 horas de voo e atravessar o mundo em busca de felicidade e propósito na vida. Tinha acabado de terminar minha segunda faculdade – depois de ter feito também uma especialização – estava no segundo emprego de minha vida inteira, e simplesmente exausta por viver conforme a expectativa dos outros. Naquele momento, eu era pura insatisfação. Já havia deixado a casa dos pais desde o ensino médio, já tinha meu próprio apartamento, uma gata e um namorado que compartilhava das mesmas ideias comigo. Porque então não fazer algo diferente?

Quando meus pés tocaram o chão da Austrália (país que escolhi para fazer um intercâmbio por dois anos) e olhei para aquele céu azul infinito, senti uma paz inesperada e de proporções cósmicas. Era o ano de 2011. Recém-atravessada a barreira dos 30 anos e com um mundo de expectativas na frente do meu nariz, eu havia, finalmente, encontrado um lugar no qual eu gostaria de viver, estudar e trabalhar por um período. E com o amor da minha vida a tiracolo. Poderia ser melhor?

Nesse período, conhecemos muitas pessoas que também haviam derrubado o muro da zona de conforto para viver uma nova e emocionante experiência num país distante. Cada um de nós tinha uma razão diferente para estar ali, mas compartilhávamos de um impulso determinante para começar a viver a vida que bem entendêssemos.

Durante dois incríveis anos, vesti o tipo de roupa que quis, pintei metade do cabelo de azul, comi junkie food como se não houvesse amanhã, aprendi uma nova língua e decidi não ter planos. Todos os fins de semana escolhia uma praia diferente para explorar, e assim conheci metade da costa leste do país. Decidimos não ter carro (embora pudéssemos comprar qualquer carro popular com apenas dois mil dólares), cortei o cabelo na nuca, fui a várias festas usando havaianas, conheci pessoas dos quatro cantos do mundo (e dividimos apartamento com gente de várias nacionalidades). Essa experiência de romper a barreira da zona de conforto me ajudou a ser uma pessoa mais realizada. E então começou a transformação.

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Só que, ao final de dois anos, nosso visto de estudante terminou. Era preciso voltar. No início de 2013, ao chegar no Brasil, tratamos logo de buscar um emprego convencional – e voltar para nossa vida anterior, a nossa já conhecida zona de conforto. Depois de viver tudo isso, o maior triunfo seria conseguir um emprego como gerente, e dar uma alavancada na carreira, não é mesmo? Pois isso aconteceu. Fui convidada para trabalhar em uma empresa incrível, como gerente de marketing, e esse seria um importante passo para o meu desenvolvimento pessoal e profissional.

Depois de alguns meses, sem mais aquela empolgação inicial, alguma coisa começou a acontecer comigo. Na correria do dia a dia, eu não tinha tempo de levantar a cabeça da papelada que se acumulava na minha mesa, e não conseguia mais investir paixão e entusiasmo no trabalho que considerava dos sonhos. Me sentindo culpada por não aproveitar por inteiro aquela oportunidade, novamente, avaliei os motivos que me mantinham infeliz. Descobri que eu estava trabalhando pelo cargo: exatamente aquilo que o mundo esperava de mim. Eu tinha entrado na armadilha de viver conforme a expectativa dos outros. Um belo cargo numa bela empresa, com um bom salário – mas sem paixão.

E novamente, resolvi deixar todos os benefícios de um cargo estável. Mesmo com todo mundo me chamando de louca, resolvi trocar de emprego. Aceitei uma proposta para trabalhar em outra empresa, de grande porte, com a promessa de fazer aquilo que mais gosto: escrever. Como assessora de imprensa, estava voltando a gostar de acordar cedo todos os dias para trabalhar. O clima de trabalho era ótimo e alguns colegas tinham muitos anos de casa – alguns com vinte ou trinta anos de empresa, e que sentiam um profundo orgulho disso. Tudo dava a impressão de que estávamos no melhor lugar do mundo para trabalhar. E de fato, foi pra mim o melhor momento como profissional.

Porém – e sempre tem um porém – a empresa começou a atravessar uma crise. Envolvidos com o trabalho diário,  fomos começando a ter o salário atrasado – até, por fim, não receber nenhum tostão. Depois de completar alguns meses sem salário, decidi pedir demissão. E cheguei a conclusão de que tudo isso não passou de um aviso dos deuses para sacudir a zona de conforto novamente.

Resolvi começar um novo caminho: trabalhar por conta própria, numa amorosa projeção daquilo que eu gostaria de me tornar. Não foi uma decisão tão simples… mas quando a gente cria uma coisa verdadeira, é natural que o entorno se movimente. Como em qualquer coisa nova que ressoa e cria espaço, eu também fui me encontrando, e com isso criando uma nova forma de trabalho: em casa, ajudando outras pessoas a dizerem o que pensam (eu crio conteúdo para outros blogs e mídias digitais). E com isso, fui encarando novos desafios, novas relações de trabalho, novas etapas, um trabalho remoto e online… Tudo novo de novo!

E também criei o Projeto Nuvem de Cogumelo. Uma jornada de transformação é longa – e sei que não é um processo fácil. Mas com base nas minhas experiências anteriores, posso garantir que é um caminho perfeitamente possível. Ao deixar o país pela primeira vez (depois da Austrália, fiz ainda dois intercâmbios de férias – um na Inglaterra e um nos Estados Unidos, e carimbei 13 países no meu passaporte), eu voltei diferente. E, daqui pra frente, não quero mais estar na zona de conforto: a gente só se transforma fora dela.

“A mente que se abre a uma nova ideia, jamais voltará ao seu tamanho original”

 

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